Quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020 | 03:31

Editorial - 19/06/2019 | 20h13m

Política 2020

Lembro exatamente que no dia anterior ao feriado de Corpus Christi, partidos políticos já se mobilizavam em Barra Mansa (RJ) para lançar candidatos a vereadores e a prefeito na eleição do ano seguinte e isso em 2012 teve grande participação de minha parte. Confesso que vivi forte expectativa naquele ano e como tudo era novo, acreditava em situações que, com mais idade, passei a analisar de outra forma sob um ângulo mais realista e cruel dos seres e instituições envolvidos a devorar o Poder Público que gira em torno de milhões de verbas que enfeitam toda a estrutura da Câmara e da Prefeitura Municipal, independente de quem ali manter a caneta por quatro anos, seu grupo e seus apadrinhados no suntuoso poder de nomear 24 horas e tirar dos cargos quem bem entender, satisfazendo interesses pessoais e do grupo dominante sem prestar conta de nada para o eleitor desinformado e população idem.

O fato é que em 2012 e no atual 2019, partidos estão ávidos em algo que acontecerá daqui a 12 meses, ou seja, 365 dias do futuro e Barra Mansa, longe do ganha pão suado da maioria dos servidores públicos municipais (sem reajuste há anos!); distante da população, que cresce absurdamente nas ruas e avenidas centrais do município jogada, abandonada, sem higiene nem alimentação tão pouco assistência social; dos animais domésticos, que vivem 24 horas à busca de lixo (comida) em toda extensão, seja ela urbana ou não; da precariedade dos sistemas fundamentais de atendimento público ao munícipe e com a classe predominante muito bem financeiramente “obrigada”, perpetua-se à sociedade romana com toda sua casta política em torno do imperador, aqui, a Prefeitura e sua elegante estrutura. Entre a casta não há lamúrias. Há indicações na prestação de contas públicas sob o véu da “licitação”. Há a indicação para os cargos sob o véu do “concurso”. Há contratação de veículos de comunicação sob o véu da “legalidade”. Tudo isso sem aquela famosa ÉTICA de Aristóteles, que dessa palavra sequer vogais e consoantes sobrevivem há décadas. Parentes são nomeados aos cargos públicos. Viva! Amigos são também. Viva! Partidos são distribuídos entre os mais graúdos e os seus. Viva! E na lei de Roma, como tudo ali acontecia, a LEI também era do imperador. Aqui a influência também é velada. Viva!

Para o bom entendedor, poucas palavras bastam. Viva! E ponto.

Eliete Fonseca
Jornalista Profissional
Registro 18.902/RJ