Sábado, 24 de outubro de 2020 | 14:21

Editorial - 13/10/2020 | 10h31m

Política de Barra Mansa para “os novatos”

Na eleição municipal de 2012, meus documentos oficiais foram registrados no sistema do Tribunal Regional Eleitoral.

Ouvia muito afirmações do tipo “mulheres têm espaço na política”, “política tem que ter um número determinado de mulheres concorrendo”, “o partido tem que ter um número de mulheres de acordo com o que determina a lei” e coisas do tipo.

Confesso que no início tudo era lindo, encantador e “ilusório”. Com o passar dos rápidos dias anteriores ao da eleição fui observando como era o funcionamento da engrenagem.

Quem já era vereador em mandato tinha tratamento diferenciado com a presidência do partido e com o grupo “que manda e até agora continua”; olhares, conversas paralelas e cochichos eram trocados; confissões eram algo comum e dos mesmos personagens que até agora estão na folha de pagamento, ou seja, de 2012 a 2020, ou quem sabe, até anterior a 2012 há décadas e isso sem nada acrescentar ao cidadão mais jovem, esclarecido e de família comum.

Durante o período eleitoral, coisas do tipo “naquele bairro só entra fulano e ciclano” e “naquela rua, ninguém entra”.

Com a distribuição do material de campanha, dezenas de eleitores atravessavam a rua; falavam mal de política; xingavam; humilhavam; não queriam pegar a propaganda; jogavam no lixo e coisas do tipo.

Matematicamente era “impossível” ter o voto e chegar ao mandato, sendo o final da história de forma bem abreviada, valendo a experiência de 2012 para sempre.

Com o olhar mais experiente, observei que “os contemplados” jorravam dinheiro às fartas e outras preciosidades do interesse comum; que a coisa dita pública era fatiada e continua em troca de votos; que a religião também entrava no excelente negócio; que ninguém fiscaliza ninguém e que o poder é eternamente “controlado”, “nas mãos dos mesmos e os seus”, misturando grupos de empresários e algumas instituições que da coisa dita pública e que jamais foi, fazem o mar de rosas envidraçado sem dar satisfação a ninguém, o que continua até agora nesse exato momento.

Às conclusões somei os ditos veículos de comunicação e seus contratos eternos dos sempre os mesmos, levando informação a ninguém, mas ganhando muito da coisa pública para proveito excelente de si e dos seus.

E 2012 foi o último suspiro. O que ficou? 2016, 2020 e sempre, a maravilhosa expressão “Tenho título de eleitor. Votar é outra situação.”

“Política” é algo que envolve muito dinheiro para manter o poder nas mãos dos mesmos e dos seus, destruindo uma sociedade inteira, os menos esclarecidos, os mais simples, a educação e a saúde públicas, e entre tantas coisas, a VIDA daqueles que ainda acreditam em honestidade, mudança, decência, dignidade, simplicidade, trabalho, ética, moral, religião, tapinha nas costas, promessas e todo conto de fadas possível e imaginável, menos na capacidade da pessoa simples e pagadora de impostos viver com dignidade às custas de sua própria sobrevivência.

Valeu a experiência pra nunca mais.

Eliete Fonseca
Jornalista Profissional
Registro MT 18.902/RJ